A poucos dias do primeiro turno da eleição presidencial de 2026, o Supremo Tribunal Federal ainda não concluiu um julgamento que pode afetar diretamente a disputa: a validade de mudanças feitas pelo Congresso na Lei da Ficha Limpa.
O que está sendo julgado
O caso questiona a Lei Complementar 219, de 2025, aprovada pelo Congresso Nacional, que alterou prazos de inelegibilidade previstos na Lei da Ficha Limpa. Uma das mudanças mexe no momento em que começa a contar o prazo de oito anos de inelegibilidade para políticos condenados: pela nova regra, a contagem passa a começar na data da condenação, e não do cumprimento da pena, como previa a legislação anterior — o que pode antecipar o fim da inelegibilidade de candidatos already condenados.
A ação foi apresentada pelo partido Rede Sustentabilidade, questionando a constitucionalidade da mudança. O caso ganhou relevância prática porque pode afetar diretamente candidaturas na eleição de 2026, incluindo a do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda.
Como está o julgamento
O STF retomou a análise do caso em sessão de julgamento virtual, com prazo previsto para se encerrar em 18 de setembro de 2026. Até o momento, o placar conhecido está em 2 votos a 0 contra a validade das mudanças aprovadas pelo Congresso, com as ministras Cármen Lúcia e o ministro Luiz Fux votando pela inconstitucionalidade.
O ministro Gilmar Mendes também já se manifestou concordando que a lei apresenta vícios formais, mas propôs uma solução diferente: em vez de derrubar a regra imediatamente, ele defendeu modular os efeitos da decisão por 18 meses, dando tempo para que o Congresso rediscuta o tema seguindo o rito legislativo adequado.
Reportagens publicadas às vésperas da eleição indicam que o STF ainda não havia fechado uma posição final sobre o caso, com outros oito votos ainda pendentes de registro no plenário virtual. Este artigo será atualizado assim que o julgamento for concluído e o resultado final for proclamado.
Por que isso importa
O caso ilustra, na prática, a tensão entre os três poderes descrita no guia sobre o sistema político brasileiro: o Congresso aprovou uma mudança na lei eleitoral, e agora cabe ao STF decidir se essa mudança respeita a Constituição — com o resultado tendo potencial de alterar, às vésperas da votação, quais candidatos seguem elegíveis.
O funcionamento do controle de constitucionalidade exercido pelo STF, incluindo o que significa modular os efeitos de uma decisão, está detalhado no guia como funciona o STF.
Perguntas frequentes
O que é a Lei da Ficha Limpa?
Uma lei complementar, aprovada em 2010, que endureceu regras de inelegibilidade para candidatos condenados por determinados crimes ou órgãos colegiados, mesmo sem trânsito em julgado da condenação.
O que mudou com a Lei Complementar 219/2025?
Entre outras alterações, mudou o marco inicial da contagem do prazo de oito anos de inelegibilidade para políticos condenados, passando a contar a partir da data da condenação, e não do cumprimento da pena.
O julgamento já terminou?
Não, segundo as informações mais recentes disponíveis até a publicação deste artigo. O placar parcial era de 2 votos a 0 contra a validade das mudanças, com outros votos ainda pendentes. Este texto será atualizado quando o resultado final for divulgado.
Quem apresentou a ação contra a lei?
O partido Rede Sustentabilidade.
Conclusão
O julgamento sobre a Lei Complementar 219/2025 é um exemplo direto de como uma decisão do STF pode reconfigurar, na prática, quem pode disputar uma eleição — e por que o momento em que essa decisão sai importa tanto quanto o conteúdo dela. Este portal vai acompanhar e atualizar este artigo conforme o caso avançar.
Fontes
- ConJur. STF retoma em setembro análise sobre mudanças na Ficha Limpa.
- Agência Brasil. STF tem placar de 2 votos a 0 contra mudanças na Lei da Ficha Limpa.
- Migalhas. Às vésperas da eleição, STF segue sem definir regras da ficha limpa.
- Revista Oeste. Lei da Ficha Limpa: STF retoma julgamento em setembro.


