A independência do Brasil, proclamada em 7 de setembro de 1822, não foi um evento isolado, mas o resultado de um processo político iniciado anos antes, com a chegada da família real portuguesa ao Brasil. Este artigo dá continuidade à cobertura de formação do Brasil colonial neste blog.

A chegada da corte portuguesa em 1808

Em 1808, fugindo do avanço das tropas de Napoleão Bonaparte sobre Portugal, a família real portuguesa, chefiada pelo príncipe regente Dom João, transferiu-se para o Brasil, então colônia portuguesa. O Rio de Janeiro se tornou, na prática, sede do governo do império português.

Essa mudança teve consequências duradouras: a abertura dos portos brasileiros às nações amigas (1808), acabando com o monopólio comercial português, a criação de instituições até então inexistentes na colônia (como bibliotecas, academias militares e um banco), e, em 1815, a elevação do Brasil à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves — um status jurídico que o tornava, formalmente, parte de um reino unido, e não mais uma simples colônia.

O retorno de Dom João VI e a Revolução Liberal do Porto

Em 1820, eclodiu em Portugal a Revolução Liberal do Porto, movimento que exigia o retorno do rei a Portugal e a redução do status político do Brasil ao de colônia novamente, revertendo os ganhos obtidos desde 1808. Sob pressão, Dom João VI retornou a Portugal em 1821, deixando seu filho, o príncipe Dom Pedro, como príncipe regente no Brasil.

As Cortes portuguesas (o parlamento constituinte reunido em Lisboa) passaram então a exigir o retorno também de Dom Pedro a Portugal e a revogação das instituições criadas no Brasil desde 1808, medidas vistas como uma tentativa de recolonização.

O Dia do Fico e o Grito do Ipiranga

Diante da pressão das Cortes portuguesas para que retornasse a Portugal, Dom Pedro, incentivado por setores da elite política e econômica brasileira que temiam perder os privilégios conquistados, decidiu permanecer no Brasil. Esse episódio, ocorrido em janeiro de 1822, ficou conhecido como "Dia do Fico".

Nos meses seguintes, o rompimento político com Portugal se acelerou, culminando na proclamação formal da independência em 7 de setembro de 1822, às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo — episódio que ficou conhecido como "Grito do Ipiranga". Em outubro do mesmo ano, Dom Pedro foi aclamado Imperador do Brasil, tornando-se Dom Pedro I, e em dezembro foi coroado.

O reconhecimento internacional

A independência proclamada em 1822 ainda precisava de reconhecimento internacional e do próprio Portugal para se consolidar plenamente. Houve conflitos militares localizados entre tropas brasileiras e guarnições portuguesas remanescentes em diversas províncias, especialmente na Bahia, até 1823-1824.

O reconhecimento diplomático de Portugal só veio em 1825, por meio de um tratado mediado pela Inglaterra, no qual o Brasil se comprometeu a pagar uma indenização a Portugal — um acordo que gerou dívida externa para o novo país logo em seus primeiros anos.

Por que a independência foi negociada, não revolucionária

Um ponto frequentemente discutido por historiadores é o caráter conservador da independência brasileira: diferentemente de outros processos de independência nas Américas, o Brasil manteve a mesma dinastia (Bragança), a monarquia como forma de governo, e boa parte da estrutura social e econômica anterior, incluindo a escravidão, que persistiu por mais seis décadas após 1822.

Perguntas frequentes

Quando o Brasil se tornou independente?

Em 7 de setembro de 1822, com a proclamação feita por Dom Pedro, que se tornaria o Imperador Dom Pedro I.

Por que a família real portuguesa veio para o Brasil?

Fugindo do avanço das tropas de Napoleão Bonaparte sobre Portugal em 1807-1808, a família real se transferiu para o Rio de Janeiro, que se tornou sede do governo português.

O que foi o Dia do Fico?

O episódio de janeiro de 1822 em que Dom Pedro decidiu permanecer no Brasil, apesar da exigência das Cortes portuguesas de que retornasse a Portugal — um dos marcos que antecederam a independência.

Conclusão

A independência do Brasil em 1822 foi o desfecho de um processo iniciado com a chegada da corte portuguesa em 1808, passando pela elevação do Brasil a Reino Unido, pela Revolução do Porto e pelo Dia do Fico, até a proclamação formal em setembro de 1822 e o reconhecimento internacional em 1825. Foi um processo marcado pela continuidade — mesma dinastia, mesma estrutura social — mais do que pela ruptura completa com o passado colonial.

Fontes