Em 15 de novembro de 1889, um movimento liderado por setores militares depôs o imperador Dom Pedro II e proclamou a República no Brasil, encerrando 67 anos de monarquia. Este artigo dá sequência à cobertura de Segundo Reinado e abolição da escravidão neste blog.
Os fatores que levaram à queda da monarquia
Nenhum evento histórico dessa magnitude tem uma causa única. A queda do Império resultou da combinação de diversos fatores acumulados ao longo da década de 1880:
- Insatisfação de setores da elite agrária: a abolição da escravidão em 1888, sem qualquer indenização aos proprietários de escravos, afastou do trono o apoio de fazendeiros que antes sustentavam a monarquia.
- Atritos com as Forças Armadas: a chamada "Questão Militar", uma série de conflitos entre oficiais do Exército e o governo imperial ao longo da década de 1880, gerou ressentimento entre setores militares.
- Atritos com a Igreja Católica: a chamada "Questão Religiosa", na década de 1870, já havia desgastado as relações entre a monarquia e parte do clero.
- Crescimento do movimento republicano: desde a década de 1870, um movimento republicano organizado, com forte presença em São Paulo, defendia publicamente o fim da monarquia e a adoção de um sistema federativo, inspirado sobretudo no modelo republicano estadunidense.
O 15 de novembro de 1889
O movimento que depôs Dom Pedro II foi liderado pelo marechal Deodoro da Fonseca, então uma figura de prestígio nas Forças Armadas, apesar de suas ligações pessoais com o próprio imperador. A proclamação ocorreu no Rio de Janeiro, então capital do país, sem grande participação popular direta no ato em si — um aspecto frequentemente citado por historiadores, incluindo a famosa observação, atribuída a contemporâneos, de que "o povo assistiu bestializado" ao evento.
Dom Pedro II e sua família partiram para o exílio na Europa poucos dias depois, encerrando definitivamente o período monárquico da história brasileira.
A República Velha
O período que se seguiu à proclamação, entre 1889 e 1930, ficou conhecido como República Velha (ou Primeira República). Suas principais características incluíam:
- Constituição de 1891: estabeleceu o Brasil como uma república federativa presidencialista, inspirada no modelo dos Estados Unidos, com maior autonomia para os estados.
- Política do café com leite: alternância informal do poder presidencial entre políticos de São Paulo (associado ao café) e Minas Gerais (associado à pecuária leiteira), as duas economias regionais mais poderosas do período.
- Coronelismo: sistema informal de poder político local, no qual grandes proprietários rurais ("coronéis") controlavam o voto e a política em suas regiões, em troca de favores e proteção do governo estadual.
- Voto não secreto: até reformas posteriores, o voto era aberto, o que facilitava fraudes e coerção eleitoral, prática associada ao chamado "voto de cabresto".
Por que esse período é analisado com ressalvas
Apesar do nome "República", o período era marcado por baixa participação política (o voto era restrito e excluía mulheres, analfabetos e, na prática, a maior parte da população), forte controle oligárquico regional e recorrentes fraudes eleitorais — características que historiadores contrastam com os ideais liberais e democráticos que o movimento republicano dizia defender.
Perguntas frequentes
Quando a República foi proclamada no Brasil?
Em 15 de novembro de 1889, por um movimento liderado pelo marechal Deodoro da Fonseca, que depôs o imperador Dom Pedro II.
O que foi a política do café com leite?
O sistema informal de alternância do poder presidencial entre políticos de São Paulo e Minas Gerais durante a República Velha (1889-1930), refletindo o peso econômico e político dessas duas regiões.
A população participou da proclamação da República?
Historiadores costumam destacar que a proclamação foi, sobretudo, um movimento militar e político de elite, com pouca participação popular direta no ato — é célebre a observação de que "o povo assistiu bestializado" ao evento.
Conclusão
A queda da monarquia brasileira em 1889 resultou do acúmulo de tensões entre a Coroa e diferentes setores — elite agrária, Forças Armadas, Igreja e o crescente movimento republicano. O período que se seguiu, a República Velha, trouxe uma nova estrutura institucional formal, mas manteve, na prática, um sistema político dominado por oligarquias regionais até a Revolução de 1930.
Fontes
- Arquivo Nacional. Portal institucional.
- Câmara dos Deputados. Centro de Documentação e Informação - história constitucional.
- Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Portal institucional.


